
A Coreia Popular realizou teste bem sucedido para dissuadir agressão dos EUA que tem foguetes apontados para o país a partir do Sul.
Em comunicado publcado na segunda-feira, a República Popular Democrática da Coreia, RPDC, defendeu seu direito de desenvolver seus sistemas de defesa (ver documento em matéria nesta página), denunciando a hipocrisia dos Estados Unidos, do Japão, Israel e outros países que, cheios de armas nucleares que ameaçam o mundo, criticam a prova realizada por Pyongyang.
A Coreia do Norte anunciou que tinha realizado com sucesso uma segunda prova nuclear.
“Enquanto esse país armazena milhares de ogivas nucleares, realizando provas dentro e fora de seu território, e sendo a única nação que as têm usado contra outros povos, acusa a RPD da Coreia de ‘provocadora’ e ‘perigosa’ nação que atua contra a opinião pública internacional. A hipocrisia dos Estados Unidos é evidente”, assinalou o documento.
E tem razão. Caso todos os países que possuem armas nucleares resolvessem desarmar-se e os EUA comprovarem que retiraram as ogivas nucleares da Coreia do Sul e acabarem com o odioso bloqueio e sanções que impõem à RPDC, se poderia exigir reciprocidade à RPDC.
- EUA MILITARIZOU O SUL -Na Coreia do Sul, os EUA mantém cerca de 37.000 soldados em 100 instalações e o maior campo de tiro da Ásia onde utilizam munições radioativas todos os dias, apesar da oposição da população sul-coreana, como confirmou o jornalista Seymour Hersh.
A Coreia Popular não pretende agredir – nem, obviamente, conquistar – os Estados Unidos, nem nenhum outro país, mas tem a firme decisão de se defender e garantir sua soberania. Quem pratica uma política insistentemente agressiva é o Pentágono.
Em recente edição, a insuspeita revista Newsweek informou: “O arsenal nuclear dos Estados Unidos inclui 5.400 ogivas nucleares armadas em mísseis balísticos intercontinentais em terra e mar; outras 1.750 bombas nucleares e mísseis cruzeiros prontos para ser lançados desde aviões B-2 e B-52; adicionalmente têm 1.670 armas nucleares classificadas como ‘táticas’. E, ainda, mais ou menos 10.000 ogivas nucleares em bunkers por todo o país como ‘contrapeso’ a qualquer surpresa”.
Além do que, os Estados Unidos são o único país que usou bombas atômicas; as que foram lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, que mataram centenas de milhares de pessoas.
Israel, outro país que achou “condenável” o teste realizado pela RPDC, recebeu desde setembro de 2004, 500 bombas estoura - bunkers BLU109, dos EUA (Washington Post, 6 de janeiro de 2008). Em abril de 2007, confirmaram que Israel receberia 100 bombas mais avançadas GBU-28, da Lockheed Martin (Reuters, 26 de abril de 2007). Israel possui cerca de 200 ogivas nucleares estratégicas. (Newsweek, fevereiro de 2008).
Vários países europeus considerados oficialmente como “estados não-nucleares”, possuem armas nucleares táticas, fornecidas por Washington. Os EUA entregaram 180 bombas termo-nucleares a 5 países “não-nucleares” da OTAN; a Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia, e a um país “nuclear”, a Inglaterra. Ignorados pelo Controle Nuclear da ONU, os EUA contribuíram ativamente para a proliferação de armas nucleares na Europa Ocidental.
A mídia monopolista norte-americana, e sua seguidora no Brasil repercutiram que a RPDC “desafiou a comunidade internacional” ao realizar a prova. Nada fala, porém, das ameaças que o povo desse país tem sofrido.
Depois do fim da Guerra da Coreia, em 1953, com o país dividido, os Estados Unidos saturaram a Coréia do Sul de soldados, bases e armas nucleares. Em 1985 havia pelo menos 150 armas nucleares na Coreia do Sul. (“U.S. nuclear weapon locations, 1995,” Robert Norris e William Arkin, Bul-letin of the Atomic Scientists).
Washington diz que em 1991 retirou todas as armas nucleares táticas do território coreano. Porém, nunca foram permitidas as “inspeções internacionais” que o Pentá-gono exige, sob ameaça de invasão, dos demais países. Além disso, os Estados Unidos conservam a capacidade de lançar foguetes nucleares contra a Coreia do Norte desde bases fora da Coréia do Sul. Em 2002, o “Resumo de Política Nuclear” do Pentágono descreve que estabeleceram alvos para ataques nucleares “preventivos” contra certos países, e entre eles figura a Coreia do Norte. (Washington Post, 23 de março de 2002).
Em 1994, os Estados Unidos assinaram um acordo com a RPDC em que esta devia suspender os reatores nucleares que podem produzir urânio apropriado para armas nucleares. Pyongyang usava esses reatores para produzir eletricidade, porque tem poucas fontes de energia. Em troca, os Estados Unidos acertaram suspender as sanções e oferecer assistência para construir dois reatores nucleares com moderador de água leve para substituir os de plutônio. Também se comprometeram a fornecer petróleo para obter energia. A RPDC ainda aceitou que a Agência Internacional de Energia Atômica fizesse inspeções e que supervisasse a evacuação de seus elementos combustíveis nucleares esgotados.
- ACORDOS -Bruce Cummings, professor de relações entre EUA e Coréia, explicou no programa “Democracy Now” que a Coréia do Norte “congelou completamente o complexo de plutônio de Yongbyon” para cumprir o acordo e que selaram suas portas, colocaram câmeras de circuito fechado e havia pelo menos dois inspetores da ONU presentes 24 horas do dia. Mas, acrescentou: “os Estados Unidos não cumpriram sua parte do acordo de normalizar as relações com a Coreia do Norte e abastecê-la de reatores nucleares com moderador de água leve para substituir os reatores de plutônio, até que finalmente a RPDC começou o segundo programa de urânio enriquecido”.
Também acusam o país de “não cumprimento de tratados internacionais” por haver se retirado do Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares. Ele possui regras diferentes para os países que têm armas nucleares e para os que não as têm. Os segundos prometem não adquiri-las. Os primeiros prometeram, em 1995, não atacar os segundos, mas essas normas não são vin-culantes. Ou seja, os países que já têm armas nucleares podem construir mais e usá-las, enquanto que os países que não as têm não podem produzi-las, supostamente em troca de que não os ataquem. A RPDC assinou esse acordo e se manteve nele até 2003. Depois disso, Bush incluiu a RPDC no “eixo do mal” e anunciou uma política de ataques preventivos. Foi então que o país se retirou do tratado.
Recentemente, a Coreia testou seu foguete lança satélites e foi acusada pela ONU, sob os auspícios dos EUA, de intenções bélicas. Resumindo, os Estados Unidos mantiveram a Coréia Popular por décadas sob cerco, sanções e ameaças nucleares. Assinou e não cumpriu um acordo de fornecer reatores a água leve e petróleo em troca de que abandonasse seu desenvolvimento nuclear. Agora, quando a RPDC testa sua capacidade dissuasória, a acusa de “ameaça nuclear”.
C/A